Trilha do Salto do Itiquira: como se preparar e fazer o caminho com segurança
Salto do Itiquira

Trilha do Salto do Itiquira: como se preparar e fazer o caminho com segurança

RC Rodrigo Cruz 02 jun 2026 7 min de leitura

A trilha do Salto do Itiquira, em Formosa (GO), pede preparo mesmo de quem não pretende ir longe: o caminho até perto da queda costuma incluir descida e, na volta, subida, trechos de pedra que ficam molhados com a névoa e calor do Cerrado na maior parte do ano. Fazer o caminho com segurança depende de nove passos simples, que vão da conferência das condições na véspera à forma de subir de volta sem esgotar o grupo. As características atuais do percurso, como escadas, interdições e trechos em obra, devem ser confirmadas com a administração do parque ou com a Prefeitura de Formosa.

Passo 1: confirme as condições da trilha na véspera

Trilhas de parque mudam: podem ter trechos interditados por manutenção, degraus refeitos ou acesso fechado depois de chuva forte. Pergunte à administração:

  • se a trilha até a queda está aberta inteira;
  • se há escadas, trechos de pedra ou de terra, e se têm corrimão;
  • se a chuva recente deixou algum trecho escorregadio ou com lama.

Com essas respostas, o resto do preparo deixa de ser genérico e passa a ser para a trilha do dia.

Exemplo hipotético: um grupo que pergunta na véspera e descobre que um trecho de escada está em reforma consegue avisar quem tem dificuldade com degraus e ajustar o plano antes de sair. Sem a pergunta, o grupo descobriria isso na metade da descida.

Passo 2: avalie o esforço que o grupo aguenta

A parte difícil de uma trilha de cachoeira costuma ser a volta, não a ida: desce-se com o corpo descansado e sobe-se depois de sol, banho e caminhada. Avalie o grupo pela pessoa com menos preparo, e não pela média.

Um teste caseiro hipotético ajuda a ter referência: se a pessoa sobe três ou quatro andares de escada em ritmo normal, sem precisar parar, tende a fazer uma subida de trilha com pausas. Se ela precisa parar a cada andar, planeje pausas frequentes e considere que ela vá até um mirante, sem descer até a base. Quem tem problema cardíaco, respiratório ou de articulação deve conversar com o próprio médico antes de esforço em subida.

Com crianças, o raciocínio é parecido: elas costumam descer animadas e cansar na subida. Combine antes quem vai carregar a mochila delas e reserve uma pausa com lanche para o meio da volta. Criança pequena que precisa ir no colo muda todo o cálculo, porque o adulto passa a subir com peso extra e com menos equilíbrio.

Passo 3: escolha o calçado pela aderência e pela fixação

O calçado é o item que mais influencia a segurança na trilha. Compare as opções por três critérios:

CalçadoAderência em pedraFixação no péSecagem
Tênis de trilha com cravosBoaBoaLenta, se for fechado
Sandália de trilha com tirasBoa, se a sola for de borracha maciaBoaRápida
Tênis de corrida comumMédia; escorrega em pedra lisaBoaMédia
ChineloBaixaBaixa; sai do péRápida

O erro comum é estrear calçado novo na trilha. Use-o antes em caminhadas curtas, para descobrir pontos de atrito e evitar bolhas.

Passo 4: monte uma mochila leve

Peso nas costas desequilibra na descida e cansa na subida. Leve só o que vai usar na trilha:

  • água para ida e volta, sem contar com ponto de venda no caminho;
  • lanche leve, protetor solar e chapéu;
  • toalha de secagem rápida e saco estanque para celular e documentos;
  • saco para trazer o lixo de volta.

Prefira mochila com duas alças, ajustada ao corpo, para manter as mãos livres. Bolsa de um ombro só balança e tira o equilíbrio em degraus.

O erro comum é levar água só numa garrafa coletiva, na mochila de uma pessoa. Se o grupo se separa, quem ficou sem a mochila fica sem água. Cada um com a própria garrafa resolve o problema.

Passo 5: combine o ritmo, as pausas e a hora de voltar

Antes de começar, o grupo combina três coisas:

  1. Ritmo: o de quem anda mais devagar, que vai na frente ou logo atrás de quem conduz.
  2. Pausas: em pontos largos e na sombra, de preferência antes de alguém pedir.
  3. Hora de voltar: um horário fixo para iniciar a subida, que respeite o calor e, na época das chuvas, o risco de tempestade à tarde.

A hora de voltar deve valer mesmo que o grupo não tenha feito tudo o que queria. É ela que evita a subida no pior calor do dia. As diferenças de horário e de condição da trilha entre seca e chuva estão em como o clima afeta sua visita ao Salto do Itiquira em cada estação.

Passo 6: desça com passos curtos e o olhar no chão

A descida é onde acontece a maior parte dos escorregões, porque o corpo ganha velocidade sem perceber. A técnica é simples:

  • passos curtos, com o pé inteiro no chão, e não só a ponta;
  • joelhos levemente dobrados, para absorver o impacto;
  • olhar dois ou três passos à frente, escolhendo onde pisar;
  • mão no corrimão onde houver, sem soltar para fotografar.

Se precisar parar para foto, pare de fato: pés firmes num ponto plano e fora do caminho de quem vem atrás. Em dia cheio, ajuda conhecer as dicas para evitar aglomerações na trilha do Salto do Itiquira.

Passo 7: pise nas pedras certas perto da água

Perto da queda e do poço, a névoa mantém as pedras molhadas o tempo todo. Nem toda pedra molhada escorrega da mesma forma, e aprender a ler a superfície reduz muito o risco:

Aparência da pedraRiscoAtitude
Clara, seca e ásperaBaixoPode pisar com o pé inteiro
Molhada, mas ásperaMédioPise devagar, com o peso centrado
Escura, lisa ou com limo verdeAltoContorne; se não houver como, apoie as mãos
Inclinada e molhadaAltoEvite; procure outro caminho

Ao passar por um trecho difícil, use três pontos de apoio: dois pés e uma mão, ou duas mãos e um pé. Nunca salte de uma pedra para outra.

Passo 8: cuide do caminho enquanto anda

Uma trilha sustentável é aquela que continua igual para quem vem depois. No percurso, isso se traduz em atitudes concretas:

  • não corte caminho por fora da trilha, o que abre erosão e mata a vegetação rasteira;
  • não arranque plantas nem leve pedras como lembrança;
  • não alimente animais, nem com restos de fruta;
  • não deixe nada para trás, incluindo cascas e bitucas.

Casca de fruta parece inofensiva por ser orgânica, mas demora a se decompor fora do ambiente de origem, atrai animais para a trilha e acostuma a fauna à comida dos visitantes. Por isso, ela volta na mochila junto com o resto do lixo.

Andar devagar e em silêncio também ajuda a ver mais. O que observar no caminho, das aves às plantas da rocha úmida, está em fauna e flora ao redor do Salto do Itiquira.

Passo 9: suba de volta sem pressa

A subida final é o trecho mais cansativo e o que pede mais disciplina. Comece no horário combinado, beba água antes de sair da área da queda e mantenha o ritmo do mais lento.

  • Faça pausas curtas e frequentes, em vez de poucas e longas, para o corpo não esfriar e endurecer.
  • Se o calor estiver forte, molhe o rosto e o pescoço nas pausas.
  • Pare a qualquer sinal de tontura, dor de cabeça forte, náusea ou falta de ar fora do normal, procure sombra e peça ajuda à equipe do parque se não melhorar.
  • Ao chegar ao topo, sente-se, beba água e coma algo antes de dirigir.

Com a volta feita nesse ritmo, a trilha termina como começou: com o grupo inteiro, sem pressa e com energia para a viagem de volta.

RC

Rodrigo Cruz

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