Alguém se machucou ou se perdeu no Salto do Itiquira: o que fazer até a ajuda chegar
Salto do Itiquira

Alguém se machucou ou se perdeu no Salto do Itiquira: o que fazer até a ajuda chegar

CF Carlos Ferreira 26 out 2026 7 min de leitura

Se alguém do grupo se machucou ou sumiu de vista no Salto do Itiquira, a sequência que funciona é a mesma nos dois casos: parar, garantir que ninguém mais se expõe ao mesmo risco, chamar ajuda cedo e só então agir. Para lesão, ligue para o 192, do SAMU, ou para o 193, do Corpo de Bombeiros, e avise a equipe do parque. Para pessoa perdida, avise a equipe do parque na hora, mantenha o grupo reunido num ponto fixo e acione o 193 se a pessoa não aparecer em pouco tempo ou se houver criança, água ou fim de tarde envolvidos. O resto do texto mostra como fazer cada etapa sem piorar a situação.

Como a situação costuma aparecer

Em cachoeira, os acidentes mais comuns têm causas previsíveis: escorregão em pedra molhada, torção de tornozelo em degrau irregular, corte em rocha ou galho, mal-estar pelo calor e susto na água. O desaparecimento também segue um padrão. Quase sempre é alguém que foi ao banheiro, voltou ao carro para buscar algo, parou para fotografar ou seguiu num ritmo diferente, e o grupo só percebeu minutos depois.

O que o visitante não controla: o terreno, o volume do rio e a distância até o atendimento. O que controla: a velocidade com que pede ajuda, a qualidade da informação que passa e a decisão de não criar uma segunda vítima.

Os primeiros minutos: proteger, avaliar e chamar

A primeira atitude é olhar o entorno antes de correr até a pessoa. Se ela caiu numa laje com limo, quem chega correndo pode cair no mesmo lugar. Se ela está na água com correnteza, entrar sem preparo costuma transformar um acidente em dois. Em afogamento, a orientação dos bombeiros é jogar algo que flutue ou estender um objeto longo, sem entrar na água.

Em seguida, avalie de longe o básico: a pessoa responde, respira normalmente, está sangrando muito, consegue mexer braços e pernas? Com essas respostas, ligue. Na dúvida entre 192 e 193, ligue para qualquer um dos dois: o atendente orienta ou transfere a chamada quando for o caso. Ao mesmo tempo, peça a outra pessoa do grupo que vá até a equipe do parque, se houver no local, que conhece o lugar e sabe por onde o socorro chega.

Se alguém se machucou: o que fazer e o que evitar

Enquanto o socorro não chega, siga as orientações do atendente ao telefone. Ele vai dizer o que fazer de acordo com o que você descrever. Alguns cuidados valem para quase todo caso:

  • Não mova quem caiu de altura ou bateu a cabeça, a menos que haja perigo imediato no local, como água subindo. Movimentar a pessoa pode agravar uma lesão na coluna.
  • Proteja do sol e do frio. Uma sombra improvisada ou uma toalha seca por cima já ajudam, principalmente em quem saiu molhado da água.
  • Não dê comida, bebida nem remédio sem orientação do atendimento.
  • Não tente puxar um membro torto para o lugar nem retirar objetos cravados.
  • Mantenha alguém conversando com a pessoa e observando se ela continua respondendo, para informar mudanças ao socorro.

Se você tem treinamento em primeiros socorros, aplique o que aprendeu dentro desse limite. Sem treinamento, a ajuda mais útil é organizar o espaço, afastar curiosos e manter a linha telefônica livre para o retorno da central.

Se alguém se perdeu do grupo

O erro mais comum é todo mundo sair procurando em direções diferentes. Em poucos minutos, o grupo tem três pessoas desencontradas em vez de uma. A correção é dividir funções:

  1. Um adulto fica parado no último ponto em que a pessoa foi vista ou no ponto de encontro combinado.
  2. Outro avisa a equipe do parque, com nome, idade, roupa e cor da mochila de quem sumiu, e a hora em que foi visto pela última vez.
  3. Uma dupla refaz o caminho óbvio: banheiro, estacionamento, área de banho e o trecho em que o grupo se separou. Dupla, nunca sozinho.
  4. Quem fica com o celular liga e manda mensagem para a pessoa perdida em intervalos, sem esgotar a própria bateria.

Criança perdida, pessoa que estava perto da água ou desaparecimento perto do fim do dia não esperam: acione o 193 junto com a equipe do parque. A foto mais recente da pessoa, tirada no próprio dia, ajuda muito quem vai procurar. Por isso vale fotografar as crianças do grupo logo na chegada.

Se quem se perdeu foi você

A atitude correta é parar. Andar sem rumo afasta você de quem está procurando e gasta energia e água. Volte apenas se tiver certeza do caminho por onde veio; se não tiver, fique num lugar visível, fora da água e longe da beira de pedras.

Ligue para alguém do grupo ou para o 193 assim que perceber. O sinal de celular pode ser irregular em vale e mata, então, se a ligação não completar, tente uma mensagem de texto, que às vezes passa com sinal fraco, e tente de novo de um ponto mais aberto próximo, sem se afastar muito. Economize bateria: desligue o que não for essencial e use a lanterna só se escurecer. Cor viva na roupa e um apito na mochila ajudam a ser achado.

O que dizer ao telefone

O atendimento chega mais rápido quando a informação é organizada. Antes de ligar, ou enquanto espera, junte:

  • onde você está: Salto do Itiquira, em Formosa (GO), e o ponto do parque, descrito do jeito que a equipe chamaria;
  • o que aconteceu e há quanto tempo;
  • quantas pessoas estão envolvidas, idade aproximada e se respondem e respiram;
  • um telefone que vai ficar ligado e disponível;
  • se a equipe do parque já foi avisada.

Responda às perguntas do atendente na ordem em que ele faz, mesmo que pareçam lentas: elas definem o tipo de socorro enviado.

Um exemplo hipotético de como as etapas se encaixam

Suponha um grupo de cinco adultos. Um deles escorrega numa pedra perto do poço, bate o quadril e diz que não consegue apoiar a perna. Uma pessoa avalia o chão antes de chegar perto e pede que ninguém mais pise na mesma laje. Outra liga para o 192 e descreve: adulto, consciente, respirando, dor forte no quadril, sem conseguir andar. A terceira vai até a equipe do parque. As duas restantes fazem sombra e cobrem a pessoa com uma toalha seca. Ninguém tenta carregá-la até o estacionamento. Quando a equipe chega, já sabe onde ela está e o que aconteceu.

Como reduzir a chance de passar por isso

A prevenção é quase toda feita antes de sair. Combine um ponto de encontro e a regra de que ninguém se afasta sem avisar. Deixe o roteiro e o horário de volta com alguém que não foi ao passeio. Carregue o celular por inteiro e leve uma bateria extra, um apito e uma toalha. Salve 192 e 193 nos contatos de quem tem criança no grupo, para que ninguém precise lembrar dos números sob pressão.

Na própria visita, pergunte na chegada onde fica o posto da equipe ou o ponto de apoio mais próximo da área de banho; essa informação varia e deve ser confirmada com a administração do parque ou com a Prefeitura de Formosa. Os erros comuns na primeira visita ao Salto do Itiquira mostram outras falhas de planejamento que aumentam esse risco, e as dicas de segurança para aproveitar o Salto do Itiquira com tranquilidade completam os cuidados do dia.

CF

Carlos Ferreira

Descubra o Salto do Itiquira em Formosa GO: como chegar, valor da entrada, trilhas, dicas e tudo para aproveitar a maior cachoeira do Centro-Oeste. Todos os Posts →