7 mitos sobre animais silvestres que atrapalham o passeio no Salto do Itiquira
Salto do Itiquira

7 mitos sobre animais silvestres que atrapalham o passeio no Salto do Itiquira

MC Mariana Cavalcante 21 out 2026 7 min de leitura

Em áreas naturais do Cerrado, como o entorno do Salto do Itiquira, o visitante pode cruzar com aves, macacos, lagartos, insetos e, mais raramente, cobras. A atitude correta diante de quase todos eles é a mesma: observar a distância, não alimentar, não tocar e não tentar mover o animal. Boa parte das situações ruins com bichos em passeios vem de crenças que parecem inofensivas. Abaixo estão sete delas, com o motivo de estarem erradas e o que fazer no lugar.

Mito 1: "Dar um pedacinho de comida não faz mal"

Um pedaço de biscoito parece pouco, mas o animal silvestre não recebe só o seu. Num dia de movimento, dezenas de visitantes oferecem "só um pedacinho", e a soma vira uma dieta de alimentos industrializados, salgados e açucarados que o organismo do animal não está preparado para digerir.

O efeito vai além da saúde do bicho. Animais alimentados por pessoas passam a associar visitantes a comida, perdem parte do medo, se aproximam das áreas de lanche, abrem mochilas e podem morder ou arranhar quando a comida não vem. Muitas áreas naturais proíbem alimentar a fauna justamente por isso; confirme a regra do parque nos canais oficiais e, na dúvida, não ofereça nada.

Suponha, como exemplo hipotético, um ponto de descanso em que cada grupo que passa oferece uma bolacha a um macaco. Ao fim de um fim de semana movimentado, aquele animal recebeu dezenas delas, e na semana seguinte passa a esperar os visitantes no mesmo lugar, mais insistente a cada dia. Nenhum dos grupos fez "muito", mas o resultado foi criado por todos.

O que fazer: faça o lanche com a comida guardada até o momento de comer, recolha migalhas e não deixe restos para trás.

Mito 2: "Fruta é natural, então pode oferecer"

O raciocínio parece lógico: se o animal come frutas na natureza, uma banana ou uma maçã seria inofensiva. O problema é que as frutas vendidas no mercado são diferentes das que esse animal encontra no Cerrado, oferecidas em quantidade e frequência que não existem no ambiente dele. E o efeito de comportamento é o mesmo do mito anterior: o bicho aprende a buscar comida com as pessoas.

Cascas e restos de frutas descartados na mata também não são "adubo". Eles atraem animais para perto das trilhas, de onde passam a frequentar as áreas de visitantes.

O que fazer: trate restos de fruta como lixo comum e leve tudo de volta na mochila.

Mito 3: "Se o animal chega perto, é porque é manso"

Um animal silvestre que se aproxima das pessoas, em geral, foi acostumado a receber comida, e não domesticado. Ele continua reagindo como bicho silvestre: pode morder se for tocado, se sentir encurralado ou se a mão estendida não trouxer comida. Macacos, por exemplo, são ágeis e podem puxar objetos das mãos ou da mochila.

Tocar animais silvestres também traz risco de transmissão de doenças, nos dois sentidos. Se houver mordida ou arranhão de animal silvestre, procure atendimento de saúde no mesmo dia e informe que o ferimento foi causado por um animal silvestre.

Com crianças, o cuidado precisa ser combinado antes: para elas, um animal que se aproxima parece um convite para brincar. Explique na chegada que os bichos do parque são para olhar de longe e que ninguém oferece comida nem tenta fazer carinho.

O que fazer: mantenha distância, não estenda a mão e, se um animal se aproximar demais, afaste-se devagar, sem correr e sem gritar. Guarde comida e objetos brilhantes.

Mito 4: "Filhote sozinho foi abandonado e precisa de ajuda"

Em muitas espécies, os filhotes ficam sozinhos por períodos enquanto os pais buscam alimento por perto. Um filhote de ave fora do ninho pode estar aprendendo a voar, com os pais observando de longe. Ao pegar o animal, o visitante pode tirá-lo justamente do cuidado que ele estava recebendo.

Levar animal silvestre para casa, mesmo com boa intenção, também não é a solução: além de expor o bicho a estresse e a cuidados inadequados, retirar fauna da natureza costuma ser proibido.

O que fazer: afaste-se para que os pais possam voltar. Se o filhote estiver ferido ou em perigo evidente, como no meio da trilha ou na beira da água, avise a equipe do parque, que sabe a quem acionar.

Mito 5: "Cobra só ataca se for provocada, então dá para chegar perto para a foto"

É verdade que cobras, em geral, evitam pessoas e picam para se defender. O erro está em achar que aproximar-se para a foto, cutucar com um galho ou tentar afastá-la não conta como provocação. Para a cobra, um corpo grande se aproximando é uma ameaça. E nem sempre dá para saber, à distância, se a espécie é peçonhenta.

A maior parte dos encontros acidentais, aliás, não acontece com a cobra à vista, e sim quando alguém põe a mão numa fresta de pedra, senta sobre folhas acumuladas ou anda fora da trilha no capim alto. Olhar onde se apoia e onde se senta, e ficar nos caminhos abertos, reduz bastante a chance de surpresa.

O que fazer: ao ver uma cobra, pare, recue devagar e dê espaço para que ela siga o caminho dela. Avise o grupo e a equipe do parque. Não tente matar, capturar ou mover o animal. Em caso de picada, procure atendimento de saúde imediatamente, pelo 192 ou pela equipe do parque, mantenha a pessoa calma e evite medidas caseiras como torniquete, corte ou sucção no local.

Mito 6: "Lixo bem fechado na mochila ou no banco não atrai bichos"

Animais acostumados a visitantes aprendem a reconhecer mochilas, sacolas e embalagens como fonte de comida. Uma sacola amarrada deixada num banco ou uma mochila aberta no chão enquanto o grupo está na água são alvos fáceis, e o bicho rasga o plástico e espalha o conteúdo pela mata.

O lixo espalhado prejudica duas vezes: o animal pode engolir plástico ou papel alumínio, e o lugar fica sujo para quem vem depois.

O que fazer: mantenha a mochila fechada e por perto, mesmo durante o banho, guarde o lixo dentro dela e descarte só nas lixeiras indicadas ou leve de volta para casa.

Mito 7: "Chamar o bicho com barulho ou comida rende uma foto melhor"

Assobiar, bater palmas, imitar sons ou usar comida como isca para atrair um animal até a câmera muda o comportamento dele. Aves podem abandonar um ponto de alimentação ou de ninho, e animais que se aproximam por isca repetem o comportamento com os próximos visitantes. O flash em animais muito próximos também pode assustá-los.

As melhores fotos de fauna costumam vir do contrário: ficar quieto num ponto, esperar e usar o zoom em vez de se aproximar. Observar o animal no comportamento natural dele, sem interferência, é justamente o que torna o registro interessante. Para quem quer explorar esse lado do passeio com calma, o texto sobre a fauna e a flora ao redor do Salto do Itiquira ajuda a saber o que observar, e o texto sobre como proteger celular e câmera da névoa e da água traz cuidados com o equipamento.

O que fazer: fotografe a distância, sem iscas e sem sons, e afaste-se se o animal mudar de comportamento, parar de comer ou demonstrar agitação.

MC

Mariana Cavalcante

Descubra o Salto do Itiquira em Formosa GO: como chegar, valor da entrada, trilhas, dicas e tudo para aproveitar a maior cachoeira do Centro-Oeste. Todos os Posts →